Resident Evil Requiem, uma celebração ao survival horror | Review

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Enquanto eu aprendia as primeiras palavras e sequer imaginava como seria a jornada da minha vida, um certo jogo surgia no Japão em 22 de março de 1996, dando início a uma das maiores e mais influentes franquias da indústria; conhecido em seu país de origem como Biohazard e no restante do mundo como Resident Evil, a saga completa 30 anos de existência em 2026, um caminho trilhado através de ruas sinistras, casas abandonadas, ilhas inóspitas e laboratórios usados para esconder segredos assombrosos. Desde então foram horas e horas ao lado dos heróis mais improváveis; uma policial com um passado conturbado, um novato que se atrasou no seu primeiro dia de trabalho e encontrou a cidade tomada por zumbis, uma motoqueira atrás de seu irmão desaparecido, e até mesmo um presidiário enfrentando sua condenação, precisando unir forças com uma médica do time de operações especiais S.T.A.R.S., até chegarmos em Resident Evil Requiem.

Seja como for, as aventuras vividas ao lado destas figuras marcaram milhões de jogadores ao longo destas três décadas, levando emoção e medo para nossas residências.

Após tantos anos, depois de altos e baixos, chegamos no último e grande título da franquia, um presente aos fãs, um novo convite para encarar o risco biológico feito de píxels, uma festa dantesca; Resident Evil Réquiem está entre nós, a celebração definitiva ao survival horror.

Resident Evil Requiem
Confrontar o passado nunca é fácil.

Entre os mortos e os vivos…

Resident Evil chegou até aqui passando por momentos épicos e outros que desagradam até mesmo o maior dos fãs, neste ponto todos nós concordamos.

Porém, a forma com que a Capcom lidou com sua obra merece respeito, isso foi potencializado com a chegada do atual game.

Se antes tivemos narizes torcidos por conta da brusca mudança entre RE5 e RE6, tiveram os que se alegraram com o retorno ao horror em Resident Evil: Biohazard.

Naquele tempo parecia que a franquia tentava desesperadamente retornar aos eixos, e retrocedeu para o puro horror.

Resident Evil Requiem
Leon sempre um galã.

Mas mesmo com o sucesso de RE7, as coisas ainda aparentavam estarem distantes do que seria o topo dessa franquia tão amada.

Entretanto, a fórmula certa para esta saga começou a se desenhar bem antes de seu último título, ela tomava forma com a chegada do remake do primeiro jogo.

E conforme os remakes de RE2, RE3 e RE4 saíam, as peças se encaixavam, cada jogo com seus pontos fracos e fortes.

Sendo assim, antes de partirmos de fato para minha análise de Resident Evil Requiem, afirmo desde já que a jornada valeu a pena.

Resident Evil Requiem
Ossos do ofício…

A novata da vez

Certamente tiveram aqueles que não aceitaram que no mesmo jogo de um protagonista famoso tivesse uma personagem novata.

E que o único conhecimento que teríamos dela, seria o de jogar com sua falecida mãe lá atrás, em um spin-off da franquia.

Grace surge como a garota amedrontada, não por qualquer coisa, mas por um trauma severo causado diretamente pela maior vilã da saga, a Corporação Umbrella.

Resident Evil Requiem
Tomei bons sustos com a “Garota”.

Quando falei sobre os pontos altos e baixos dos jogos anteriores, a intenção era expressar que os fãs ansiavam por um título que fosse a união dos melhores ingredientes que a Capcom criou no decorrer de 30 anos.

E sinceramente, não achei que veria isso tão cedo, ainda mais da forma que chegou até nossas mãos.

Quando começamos a controlar Grace, sabemos que o balanceamento entre terror e ação dessa vez estaria na medida.

Temos horror, e isso é muito bom

Entretanto, as coisas foram muito melhores do que pensei, as expectativas altas não puderam me preparar para as horas seguintes.

As partes com a Grace não nos poupa (ainda bem), assim que o jogo começa somos lançados em um local sombrio e opressor.

Além disso, temos a bela companhia da “Garota”, uma perseguidora que insere medo e desespero no coração dos gamers.

Quando estamos com a agente do F.B.I, precisamos usar da furtividade e dos elementos de cenário para acabar com as ameaças.

Resident Evil Requiem
Essa construção me lembra algo…

Isso se deve ao fato de que a protagonista de Resident Evil Requiem não dispõe de muitos recursos para lidar com as ameaças.

Esta “limitação” faz total sentido narrativo, além disso, os impeditivos de Grace dão senso de urgência, algo essencial em jogos de terror.

Com a agente temos uma lanterna, uma pistola e algumas armas improvisadas, que servem muito mais para escapar em momentos críticos do que para atacar, as partes com Grace trazem o verdadeiro significado de survival horror.

Ações como resolver enigmas, coletar itens e fugir das ameaças biológicas criam momentos marcantes ao lado da agente.

Resident Evil Requiem
Criação de itens sempre aprimorando nossa sobrevivência.

Entretanto, Grace consegue confeccionar munição usando o sangue de infectados e sucata (gostaria muito de saber como isso é possível), o que dependendo da dificuldade, nos dá uma segurança, por menor que seja.

Além disso, a trama de Resident Evil Requiem gira em torno de Grace, vamos desvendar o mistério envolvendo ela e sua mãe.

Resident Evil Requiem
Dessa vez os médicos é que precisam de ajuda.

O Profissional

Mas se com Grace sentimos medo dos monstros que nos perseguem, com Leon S. Kennedy a história se torna completamente diferente.

Profissional dotado de habilidades fantásticas, Leon chega para o seu quarto título como protagonista.

E no controle de Leon, quem deve sentir medo são os monstros, aqui o horror sai de cena e a ação surge, e como surge!

Com arsenal suficiente, temos ferramentas para acabar com as armas biológicas, Leon é capaz de realizar ataques corpo a corpo que funcionam bem demais.

As coisa podem sair do controle…

A exploração com o agente especial também se mostra mais convidativa, além da segurança, a complexidade das missões não irritam, pelo contrário, instiga o jogador a continuar, ficando quase impossível de largar o controle quando estamos com Leon.

A Capcom finalmente achou foi a receita perfeita de como unir os elementos principais de seus jogos, ação e terror, o sabor alcançado nos faz pedir por mais e mais, tudo ao lado de Leon escala para o grandioso.

Uma breve visita em um centro de cuidados acaba virando um passeio brutal contra inimigos mortais.

“Fica paradinho.”

Raccoon City, uma última vez

Vale ressaltar que Leon possui a Requiem, uma arma com poder de fogo assombroso, capaz de eliminar quase todas as criaturas com apenas um tiro.

Ele possui também um machado tático que serve para aparar certos golpes, e claro, desfere cortes potentes nos inimigos.

Os dois foram traumatizados pela Umbrella ainda muito novos, ambos querem destronar de uma vez por todas essa empresa.

Eu cresci nessas ruas.

Ambos precisam encarar seus passados sombrios, quando Leon precisa retornar para Raccoon City, o momento se torna uma dos maiores e mais simbólicos momentos dos vídeo games.

De certa forma, o passado do policial se entrelaça com o do jogador, pois anos atrás estávamos lá, acompanhando seu primeiro dia nessa cidade condenada.

Nesse momento a nostalgia grita em tela, e a Capcom entrega o que o fã quer, relembrar o passado e celebrar o futuro.

As vezes eu sentia pena dos monstros que ousavam atacar o Leon.

Andar pela R.P.D destruída e achar os easter eggs tocaram o coração deste que vos fala, certamente nunca irei esquecer disso.

Os destroços de Raccoon City contam uma história cruel, como jogadores, sabemos muito bem disso.

O Legado da Capcom

A sede de poder da Umbrella tomou a vida de milhares de pessoas, retornar para onde tudo começou possui um grande peso para a narrativa.

Os cenários estão deslumbrantes, lógico, conforme o que já conhecemos de Resident Evil, casas sinistras, hospitais e ruas desoladas.

Rodando perfeitamente em 60 fps, com uma otimização excelente, performando perfeitamente no PlayStation 5.

Um dos melhores momentos dos games.

Aqui temos o ápice da qualidade gráfica da saga, com texturas que enchem os olhos, além disso, as animações são um show à parte.

Desde uma simples recarga de arma até os golpes de luta, tudo possui esmero, um trabalho formidável.

Um jogo inacreditável de tão bom, que quando acaba, automaticamente queremos apagar ele da mente, para que assim possamos presenciar tudo aquilo como se fosse a primeira vez.


Author

Ricardo Gomes

"Curse you, Bayle! I hereby vow! You will rue this day!"

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