Enquanto alguns gêneros caem na mesmice e se cansam a cada novo título, o soulslike permanece firme mesmo com jogos medianos e outros bem fracos, a verdade é que fora as obras da FromSoftware, poucos conseguem entregar o equilíbrio entre exploração, desafio e narrativa. Mas como o mundo dos jogos nos reserva surpresas, Valor Mortis sai e puxa ar para esse gênero, que mesmo permanecendo em destaque, se cansa com o tempo.
Uma aventura que convida todos os jogadores, desde aqueles que cansaram do estilo, até os que nunca tentaram encarar os desafios nada casuais.

Entre fogo e cinzas
Quando pensamos em um jogo que vai nos desafiar, os mais atentos sempre pensam em como as obras vão trazer dificuldade ao mesmo tempo que entrega diversão, o que para alguns pode parecer complicado de entender, eu sei. Entretanto, Valor Mortis pode ser uma luz no fim do túnel de quem não quer esperar que a FromSoftware decida lançar outra pedrada de qualidade.

Controlando um soldado do exército de Napoleão, somos jogados em uma terra arrasada e repleta de inimigos, quando uma batalha sai do controle por conta de uma praga, somos obrigado a encarar criaturas terríveis, ao mesmo tempo em que o personagem se esforça para entender quem ele é.
O jogo traz a primeira diferença dos demais jogos do gênero ao colocar uma câmera em primeira pessoa, deixando a imersão em um nível excelente.
Os jogadores com resistência a este estilo de câmera vão ter que morder a língua e instalar e querer instalar mods para mudar jogos como Dark Souls e Demon’s Souls, pois nada nos aproxima mais do combate do que sentirmos 100% que somos aquele personagem em tela.

E este segue como o maior acerto, entre tantos outros que Valor Mortis traz, porém, fica complicado seguir esta singela análise sem comparar com os jogos da saga souls.
Reviva e lute
Quando iniciei o jogo, imaginei que a jornada através dos desafios ficaria entre o jogo frustrante que insiste em deixar a dificuldade desbalanceada, esperando que os jogadores aceitassem, com medo de questionar as decisões dos desenvolvedores.
Porém, para minha alegria, se tem algo que Valor Mortis faz é balancear desafio e game design, mesmo que deslize em alguns pontos.

Por exemplo, jogo jogo traz uma forma clássica de apresentar as armas, simples e extremamente eficiente.
Entretanto, aqui não somos jogados sem rumo, porém, nossa mão não é segurada a todo momento, você tem sim, maiores guias espalhados de forma natural no cenário, mas sem atenção, ser perder fica fácil.
A base do jogo segue o que os entusiastas conhecem bem, temos as “bonfires”, as “almas” que ficam no local de nossa última derrota e inúmeras armadilhas.

Tentativa e erro seguem em destaque, a curva de aprendizado se mostra mais simples, assim o jogo agrada mais quem deseja apenas um bom jogo.

Escolha suas armas…
Não temos classes, o jogo mistura tudo de uma vez, quem quer jogar de guerreiro, vai usar uma espada gigante focada no combate direto.
Se deseja jogar de espadachim, com velocidade e defesas impecáveis, o florete será sua arma, entretanto, o combate possui magias que dão todo o charme de Valor Mortis.

Fogo, controle do tempo e defesa, os feitiços além de servir para incapacitar os inimigos, os ajuda a resolver enigmas e abrir caminhos.
Além das armas de combate corpo a corpo, Valor Mortis entrega armas de longa distância, como pistolas e rifles.
Estas particularidades que pouco aparecem em outros soulslikes, fazem de Valor Mortis um ponto fora da curva para este gênero.

É possível escolher se vamos ou não para um combate direto e isso agrada demais, saber que temos diversas formas de lidar com os perigos.
Temos aqui um equilíbrio entre armas e magias, o começo do jogo pode separar os casuais dos mais durões jogdores.
Entretanto, se você passar do primeiro chefe, vai começar a perceber que nosso protagonista se torna um Jedi francês.
Batalhas duras, momentos marcantes
O jogador de soulslike, enquanto explora o cenário fica imaginando quando iremos encontrar o chefe da área, pois este segue sendo o momento mais esperado.
Entretanto, aqui a curiosidade fica ainda mais evidente, pois o estilo de combate frenético e desafiador deixa o jogador apreensivo se vai ou não passar um perrengue contra o inimigo mais forte.
Porém, como disse anteriormente, mesmo que Valor Mortis siga uma base, ele se distancia dos jogos convencionais do gênero.

Se temos armas com habilidades específicas, esperamos que os chefes forcem o jogador a usar com sabedoria as ferramentas.
E Valor Mortis faz isso com louvor, os pontos fracos dos chefes clamam por um disparo de pistola, enquanto outros vão mostrar que você pode abusar do contra-ataque, alguns pendem uma arma mais pesada e existem aqueles que pendem uma estratégia focada em magias de fogo.
Porém, mesmo que estas particularidades apareçam reduzida, quando elas aparecem os momentos se tornam marcantes.

Temos momentos onde usamos quase todas as habilidades, cenas cheias de ação, o que muda a mente do jogador que esperava algo mais cru.
Valor Mortis sabe a fonte que bebeu, mas faz a própria bebida com a água do conhecimento adquirido, não tem medo de arriscar.
Faltou pouco para nascer clássico
Até pouco mais da metade do jogo eu estava convencido de que eu queria mais e mais da obra entregue pela One More Level.
Entretanto, nem tudo pode ser perfeito, mas calma, os deslizes não apagam os méritos já citados, mas precisam de citação.
Para quem se inspira em Dark Souls, Valor Mortis não entrega uma variedade de inimigos, não demora para conhecer todos os inimigos do jogo

Quando encontramos uma variação, o que muda é que agora o guerreiro gigante não toma dano de fogo, ou agora o gigante com canhão possui resistência aos feitiços de paralisia.
Além disso, a criatividade com os chefes vai decaindo conforme o jogo avança, existe um chefe em particular que entrega uma sequência insana, mesclando combate e sequências de plataforma.
Mas isso ocorre apenas um única vez, o que acaba por esfriar a empolgação antes criada, o que acaba acontecendo com os enigmas.
Estes por sua vez pedem que usemos os feitiços para superar obstáculos, mas se isso aparece em abundância em uma fase, em outra possui total ausência.
Entendo que o estúdio seja pequeno, com pouco mais de 70 funcionários, porém poderiam ter entregue mais da criatividade que claramente eles tem.
No fim, Valor Mortis é o que o gênero soulslike precisava, um título que arrisca e se torna original à sua maneira, sem medo algum de tentar, o jogo se torna uma das melhores surpresas do ano.

