Lançado originalmente em 2023, The Crew Motorfest desembarcou no Nintendo Switch 2 em outubro de 2026, trazendo consigo três anos de atualizações, temporadas e conteúdo adicional. A conversão chega com um catálogo extenso de veículos e atividades, além das novidades acumuladas desde a estreia. Para quem ainda não conhece o jogo, a edição da Nintendo oferece uma oportunidade de encontrar um pacote muito mais completo do que aquele disponível no lançamento original.
A proposta mistura festival automobilístico, exploração em mundo aberto e uma coleção de atividades que vai muito além de cruzar a linha de chegada antes dos adversários. O Havaí serve de cenário para corridas, desafios de velocidade, provas de habilidade e passeios sem compromisso. Carros são o centro das atenções, mas motos, aviões e barcos também entram na garagem, ampliando as possibilidades de percorrer a paisagem.
O que mais me interessa nessa estrutura é a liberdade de alternar entre objetivos. Motorfest não exige que o jogador passe horas cumprindo uma sequência rígida de provas para aproveitar o mapa. Dá para seguir uma playlist, experimentar outro veículo e depois abandonar os eventos para descobrir o que existe nas estradas secundárias. O mundo aberto funciona tanto como palco das competições quanto como espaço para simplesmente dirigir.
As playlists organizam boa parte do conteúdo por temas, categorias e referências da cultura automobilística. Uma campanha pode privilegiar muscle cars americanos, enquanto outra explora ralis ou estilos específicos de condução. Essa divisão dá personalidade às atividades e evita que a enorme quantidade de eventos se transforme numa lista de corridas praticamente intercambiáveis.

A escala do catálogo ajuda a sustentar a proposta. A Ubisoft anuncia mais de 700 veículos, incluindo diferentes categorias de máquinas, e a variedade serve como incentivo para continuar experimentando o que o jogo oferece. Colecionar carros, desbloquear modelos e encontrar atividades espalhadas pelo mapa fazem parte de uma progressão que pode render dezenas de horas.
Naturalmente, quantidade não significa que cada veículo tenha uma personalidade completamente distinta ou que todas as categorias recebam a mesma profundidade. Aviões e barcos ampliam a exploração, mas os carros continuam sendo a principal atração. A variedade funciona melhor como complemento à condução do que como promessa de que cada modalidade possui o mesmo refinamento.
O conteúdo acumulado desde 2023 também merece consideração. A versão de Switch 2 chega com anos de suporte, novas atividades e a expansão do mapa, incluindo Kauaʻi, adicionada na Temporada 11. A Ubisoft pretende manter as temporadas sincronizadas com as outras plataformas, o que dá à edição uma perspectiva de continuidade. Quem comprar o jogo não estará entrando numa versão congelada no lançamento original.
Para quem ainda não jogou Motorfest, o pacote tem bastante coisa a oferecer. Já para quem percorreu o Havaí em PC, PlayStation ou Xbox, a quantidade de conteúdo não basta para justificar uma segunda compra. Nesse caso, o interesse está na possibilidade de continuar a jornada em outro aparelho, com as concessões técnicas e as restrições próprias dessa conversão.
Arcade, sem precisar tirar carteira de piloto
A condução privilegia a diversão imediata. Motorfest não exige o rigor de um simulador e permite corrigir trajetórias, contornar obstáculos e continuar disputando posições depois de pequenos erros. A física favorece quem quer experimentar diferentes veículos sem precisar reaprender completamente o jogo a cada troca.
Essa escolha combina com a estrutura de mundo aberto. Um título que incentiva desvios, exploração e mudanças frequentes de atividade se beneficia de controles acessíveis. A experiência não depende de dominar cada curva com precisão milimétrica, e o sistema de retrocesso oferece uma maneira de corrigir alguns acidentes sem obrigar o jogador a reiniciar tudo.

A consequência é uma condução que pode parecer permissiva demais para quem procura uma disputa exigente. A dificuldade pode ser ajustada, mas a experiência padrão favorece a progressão rápida. Quem gosta de lutar por cada posição e dominar trajetórias encontrará menos tensão do que em jogos mais competitivos.
A sensação de velocidade varia conforme o veículo, e os modelos mais potentes conseguem transmitir uma impressão de aceleração bastante convincente. Essa diferença importa porque desbloquear uma máquina melhor precisa alterar a maneira como o jogador atravessa o mapa, em vez de servir apenas para aumentar o número de itens na coleção.
Motorfest funciona melhor quando deixa a condução respirar. Uma corrida pode ser seguida por um passeio sem destino definido, e a exploração oferece uma pausa entre os eventos estruturados. A combinação mantém o jogo interessante para quem prefere aproveitar o cenário no próprio ritmo, sem transformar cada minuto em uma obrigação da lista de tarefas.
A versão de Switch 2 preserva essa identidade. O problema é que manter um mundo aberto tão extenso num console híbrido exige concessões, e elas aparecem principalmente na apresentação visual e no comportamento do jogo durante as sessões portáteis.
Trinta FPS e concessões visuais
A versão de Nintendo Switch 2 trabalha com resolução de 1080p e alvo de 30 quadros por segundo tanto no modo portátil quanto no modo TV. Não há opções separadas para privilegiar desempenho ou qualidade gráfica. A Ubisoft optou por uma configuração única para sustentar a exploração, as corridas e a quantidade de elementos presentes no cenário.
Não considero 30 FPS um defeito automático num jogo de corrida. A estabilidade importa mais do que perseguir um número maior que oscila constantemente, especialmente quando o jogador atravessa o mapa em alta velocidade. O problema aparece quando a fluidez muda justamente nas situações em que a leitura da pista precisa ser mais precisa.
Os relatos técnicos publicados após o lançamento apontam um desempenho geralmente mais consistente no modo TV, embora a conversão apresente concessões gráficas perceptíveis. Serrilhados, redução de detalhes e aparecimento tardio de objetos, o chamado pop-in, prejudicam a continuidade visual. Árvores, sombras e elementos da paisagem podem surgir perto demais do veículo, chamando a atenção para os limites da adaptação.
A iluminação e os reflexos ajudam a preservar a apresentação de Motorfest, mas não escondem todas as diferenças. A ilha continua extensa e reconhecível, embora a imagem perca parte do refinamento encontrado em plataformas mais poderosas. O resultado é compreensível diante do tamanho do mundo aberto, mas não deixa de afetar a experiência.
A situação fica menos favorável no modo portátil. As análises técnicas indicam oscilações mais perceptíveis em cenas exigentes, acompanhadas de perda de nitidez. A tela menor pode disfarçar parte das limitações visuais, mas não resolve as variações de desempenho.
É justamente aqui que a conversão precisa ser julgada com mais rigor. Jogar na televisão é uma opção, mas não representa a principal vantagem de levar Motorfest ao Switch 2. A possibilidade de explorar o Havaí longe do sofá é o grande diferencial dessa edição. Se o desempenho fica menos consistente quando o console é utilizado da maneira que o distingue dos concorrentes, a concessão pesa mais do que pesaria numa conversão destinada exclusivamente ao modo TV.

Ainda assim, há mérito em preservar o mundo aberto e a variedade de atividades sem transformar o jogo numa sequência de circuitos isolados. O port mantém a escala da experiência e a sensação de velocidade, mesmo sem alcançar a apresentação visual das versões mais robustas.
A expectativa precisa ser realista: quem considera 60 FPS indispensáveis em jogos de corrida não encontrará aqui a configuração desejada. Para os demais, 30 FPS podem ser suficientes, desde que as oscilações e os cortes visuais não comprometam o que mais importa durante a condução.
Os controles também entram na conta
O Switch 2 não oferece gatilhos analógicos tradicionais para dosar aceleração e frenagem da mesma maneira que os controles de outras plataformas. A aceleração depende de comandos digitais, o que limita a precisão de quem prefere modular a potência gradualmente.
A condução permissiva de Motorfest ameniza a questão. Como o jogo não exige o rigor de uma simulação, a maioria das situações continua administrável com comandos simples. Ainda assim, quem migra de outra plataforma pode sentir falta de um controle mais gradual, principalmente ao alternar entre veículos com comportamentos diferentes.
Não é uma limitação que inviabilize a conversão, mas merece atenção porque a condução está no centro da experiência. A adaptação de um jogo para outro hardware não depende apenas de resolução e taxa de quadros. A maneira como o jogador interage com o veículo também determina quanto da experiência original sobrevive à mudança.
Os carregamentos relativamente curtos e a possibilidade de alternar entre atividades ajudam a manter o ritmo. O conjunto é funcional, mas a conversão não chega ao ponto de fazer o jogador esquecer as diferenças entre o Switch 2 e as plataformas mais poderosas.
Um jogo portátil que não funciona offline
A maior contradição de The Crew Motorfest no Switch 2 não está nos gráficos. O jogo exige conexão permanente com a internet, inclusive para atividades individuais. Não existe uma opção offline que permita iniciar a sessão e explorar a ilha sem contato com os servidores.
Num console híbrido, essa exigência tem consequências práticas. Uma viagem de avião, uma região sem cobertura ou uma conexão móvel instável podem impedir o acesso ao jogo. A liberdade de escolher onde jogar passa a depender de uma infraestrutura externa que nem sempre acompanha o jogador.
A suspensão do console também pode se tornar inconveniente. Relatos da versão de Switch 2 mencionam desconexões ao retomar o jogo e situações em que é necessário voltar ao menu para estabelecer a conexão novamente. Para um aparelho concebido para alternar rapidamente entre períodos de jogo e pausas, essa interrupção atrapalha mais do que uma simples mensagem de erro.
A exigência online não é uma limitação gráfica inevitável. É uma decisão estrutural que afeta a maneira como o consumidor pode utilizar o produto. Mesmo que o desempenho fosse impecável e a imagem não apresentasse cortes, continuaríamos diante de um jogo que não pode ser aproveitado em qualquer lugar.
A Ubisoft oferece progressão cruzada por meio da conta Ubisoft Connect, permitindo continuar o avanço em outras plataformas compatíveis. Para quem já possui uma garagem considerável, a possibilidade de levar o progresso ao Switch 2 é uma vantagem concreta. Não é necessário tratar a versão da Nintendo como uma jornada completamente separada.

Existe, porém, uma ressalva importante: conteúdos premium comprados em outras plataformas não são transferidos automaticamente para o Switch 2. O progresso pode acompanhar o jogador, mas determinados DLCs precisam ser adquiridos novamente. Quem já investiu em expansões e pacotes de veículos deve levar esse custo em consideração.
O cross-play também tem limitações. Algumas modalidades e placares são compartilhados entre plataformas, mas a integração não significa que todas as atividades permitam jogar com qualquer amigo em outro sistema. A estrutura multiplataforma é útil, embora não elimine todas as diferenças entre as versões.
O excesso de conteúdo da Ubi está aqui também
A interface de Motorfest tenta acomodar playlists, eventos, veículos, personalização, notificações e conteúdo adicional numa mesma estrutura. Com tanta coisa disponível, encontrar uma atividade específica ou ajustar um carro pode exigir mais navegação do que deveria.
O volume de conteúdo é uma das virtudes do jogo, mas a organização nem sempre acompanha a escala. A experiência fica mais carregada quando as opções pagas entram na mesma equação. O jogador pode aproveitar bastante coisa sem comprar cada adicional, mas precisa distinguir o que já está incluído do que depende de uma aquisição separada.
A assinatura e os DLCs podem ampliar a experiência para quem pretende continuar jogando durante muito tempo. O custo, porém, precisa ser avaliado em conjunto com a compra inicial, principalmente por quem já possui o jogo em outro sistema. A progressão cruzada facilita a continuidade, mas não transforma a versão de Switch 2 numa atualização gratuita da cópia anterior.
Para quem está chegando agora, a situação é mais simples: há um pacote extenso de conteúdo, variedade de veículos e atividades suficientes para justificar muitas horas de jogo. Para quem já conhece Motorfest, a conveniência de jogar em outro aparelho precisa compensar tanto as concessões técnicas quanto a possibilidade de pagar novamente por conteúdos específicos.
Vale a pena comprar The Crew Motorfest no Nintendo Switch 2?
The Crew Motorfest é um jogo de corrida em mundo aberto com conteúdo de sobra, uma condução acessível e um cenário que convida à exploração. A conversão para Switch 2 preserva esses pilares e reúne anos de atualizações numa edição que faz sentido para quem ainda não experimentou o jogo.
O desempenho a 30 FPS e as limitações visuais impedem que o port seja tecnicamente impecável, principalmente no modo portátil. Mesmo assim, essas concessões não apagam o mérito de manter o mundo aberto e a variedade de atividades disponíveis no console da Nintendo.
A conexão permanente é mais difícil de aceitar. Ela compromete justamente a liberdade que deveria distinguir essa versão e pode impedir o acesso ao jogo em situações corriqueiras de uso portátil. A progressão cruzada ajuda quem já possui Motorfest em outra plataforma, mas os custos adicionais de conteúdos premium reduzem a conveniência para parte desse público.
Minha recomendação depende, portanto, do perfil do jogador. Para quem só tem o Switch 2 e procura um mundo aberto dedicado a carros, a edição é uma alternativa competente, desde que a conexão com a internet esteja garantida. Para quem já joga em PC ou consoles e espera uma versão portátil sem grandes compromissos, vale pesar com cuidado os benefícios da mobilidade contra as limitações técnicas e de acesso.
A Ubisoft conseguiu colocar um festival automobilístico de grande escala no Switch 2 sem desmontar sua estrutura. O que faltou foi respeitar melhor a liberdade de uso que torna o console atraente. O Havaí está na palma da mão, mas a internet continua segurando a chave da garagem.

