Desde que Kazuya Mishima teve seu corpo arremessado de um penhasco, lá no primeiro título da série Tekken, a rivalidade familiar tem sido um dos pilares da franquia, e para nossa sorte não só deste assunto vive o jogo. É estranho falar de Tekken, pois mesmo sendo um grande fã dos jogos de luta, joguei poucos títulos da saga, o que mais joguei foi o lendário e clássico terceiro jogo, após tantos anos, Tekken 8 prova que o legado construído até aqui é sólido como aço e forte como o golpe de um mestre de artes marciais.

O tempo nunca foi tão propício para os amantes de jogos de luta, as grandes franquias retornaram quase que ao mesmo tempo, e já não há dúvidas de que ele veio para ficar.

Tekken 8

Corações e punhos

A história de Tekken ainda segue a velha emblemática rivalidade entre Jin Kazama e Kazuya Mishima, pai e filho separados por seus ideais.

O que me chama atenção neste título, é a grandiosidade em que o problema é apresentado, a campanha principal do jogo começa com um embate de proporções épicas entre Jin e Kazuya, onde já não se pode medir o poder de ambos os personagens.

O trecho estava disponível na demo liberada pouco antes do jogo sair, foi a maneira perfeita de prender o jogador de imediato.

Assim como Mortal Kombat fez há alguns anos, outros jogos de luta decidiram implementar histórias complexas em suas sequências, com Tekken não foi diferente.

Quem jogou os anteriores sabe que boa parte da trama envolve a rivalidade entre familiares, algo iniciado com Heihachi e Kazuya e passada adiante.

Tekken 8

No meio disso tudo há espaço para as grandes conspirações e temas políticos que fazem do jogo um tanto quanto crível, na medida do possível, já que o sobrenatural sempre esteve presente.

Após o embate lendário entre pai e filho, Kazuya decide pôr em prática seu plano de dominação global, iniciando assim mais um torneio.

Agora cabe a Jin e seus amigos, deterem o vilão e salvar o planeta, nada tão distante das histórias que vimos em outras obras.

O que difere aqui é justamente os combates, que apenas melhoram com o passar do game e conforme os personagens aparecem.

Claro que o carisma do protagonista e de seus aliados ajuda e muito, até mesmo o jeito fechado e truculento do vilão nos desperta interesse.

Assim iniciamos nossa jornada pelo modo história, que serve mais para apresentar o estilo de jogo, suas mecânicas principais, e obviamente, continuar a narrativa de Tekken 7.

Tekken 8

A beleza da pancadaria sincera

Com cinemáticas incríveis e gráficos de cair o queixo, a obra sabe apresentar algo a mais para o jogador que não está tão ávido para o modo on-line.

Pois não é todo mundo que quer se aventurar nas partidas ranqueadas, e convenhamos, não ter modos fora desse, é um erro.

Por isso, vamos falar antes do que é possível fazer sem ter a devida conexão com a internet, apenas com o jogo em mãos.

Existem os modos já conhecidos por todos, como o Batalha Arcade, que consiste em enfrentar um número x de inimigos controlado pela CPU.

Mas há também a novidade do modo de batalha arcade, que é semelhante àquele apresentado em Street Fighter 6, onde criamos um personagem e iniciamos uma espécie de história nova dentro de outro universo.

Aqui os fãs de Tekken aparecem visitando uma espécie de centro de lazer, onde competições do game ocorrem, assim batalhamos para elevar nossas habilidades.

O modo é bem simples, sem muita inovação ou grandes surpresas, o que faz dele divertido é apenas o fato de poder jogar sossegado.

Tekken 8

Montar seu personagem e dominar as batalhas se torna algo gratificante no final, apesar de limitado, é uma opção a mais, importante que algo assim exista.

Para a alegria dos mais nostálgicos, o modo Tekken Ball retorna para a diversão de uma das opções mais estranhas e boas da franquia.

Juntar uma variação de vôlei com golpes de luta, com a opção de jogar a bola com toda força no adversário, é simplesmente genial.

Mostrando nosso talento em Tekken 8

Tekken 8 já nasceu como um dos grandes destaques de 2024, é certo que o game viverá muito, e certamente sua presença é mais do que garantida nos campeonatos de jogos de luta.

E os competidores encontram onde treinar nos servidores online do jogo, onde a magia realmente acontece e o jogo brilha por completo.

Claro que é possível que quem esteja lendo este texto queria apenas a experiência offline, e como mencionado anteriormente, ela está lá.

Mas obras como essa tem um foco competitivo que transcende gerações, as batalhas de Tekken sempre demonstram animações belas e bem trabalhadas.

O que não é diferente aqui, cada animação é fantástica, é possível ver o movimento dos personagens com perfeição, em uma fluidez impressionante.

O time responsável por animar os bonecos fez um trabalho digno de aplausos, o melhor de tudo é entender tudo que ocorre na luta, os movimentos não apresentam confusão, mas sim uma verdadeira luta coreografada.

O jogo conta com uma quantidade boa de lutadores iniciais, o que também é um ponto forte, em tempos de DLC’s e pacotes pagos para temos mais opções.

Ao todo temos 34 personagens para escolher, entre clássicos e novos, muito provavelmente, mais na frente teremos lutadores pagos, mas de início é bastante coisa.

Vale lembrar que um dos personagens mais queridos da franquia chega em breve e gratuitamente, que é o capoeirista Eddy Gordo.

Bota na cabeça que estilo não é marra…

Algo bastante elogiado e que pode ou não ser relevante para o jogador, foi a caracterização dos bonecos, seja a original ou a editada.

Cada personagem é estiloso por si só, e isso já bastava para termos um estilo único para cada um deles, porém, Tekken 8 vai além.

A customização dos bonecos atinge um nível completamente surreal de opções, onde é possível até mesmo transformar o boneco para algo parecido com outros personagens.

Isso claro, dentro das limitações do próprio Tekken 8, mas temos muitas opções e elas dão um estilo único para seu lutador favorito.

Porém, estes adereços podiam vir liberados desde o começo, é preciso sair juntando recurso para poder liberar mais opções.

Algo menos burocrático seria ainda mais aceitável para os fãs, que ainda gostam de customizar seus guerreiros para as lutas do dia a dia.

O game conta com duas opções de comandos, o clássico, para quem é acostumado com a obra e um outro que é mais acessível e simples para os novatos.

O jogo roda muito bem no PlayStation 5, versão essa usada para esta análise, e possui uma fluidez satisfatória, com poucos bugs ou travamentos.

Tekken 8 é para todos as amantes dos jogos de luta, aos fãs da franquia e para quem quer descobrir ela ainda este ano.

Esta análise foi feita com base em uma cópia cedida pela Bandai Namco, agradecemos por confiar em nosso trabalho.