Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition é um excelente jogo de luta que sabe receber os novatos

Com 40 personagens, controles acessíveis e um combate que recompensa a prática, Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition reúne quase tudo o que um fã de jogos de luta pode querer. A história e alguns modos secundários, porém, não acompanham o mesmo nível de qualidade.

Por
Rômulo de Araújo
Editor Chefe
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- Editor Chefe
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8 BOM
Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition

A Arc System Works tem experiência em transformar personagens de anime em espetáculos de pancadaria. Dragon Ball FighterZ e Guilty Gear Strive são exemplos de como modelos tridimensionais, animações expressivas e efeitos exagerados podem reproduzir a aparência de desenhos animados sem abrir mão da precisão exigida pelos jogos de luta. Granblue Fantasy Versus: Rising segue essa tradição, mas acrescenta uma preocupação importante: tornar o gênero menos intimidador sem abrir mão da profundidade que mantém os veteranos ocupados por centenas de partidas.

Desenvolvido pela Arc System Works em parceria com a Cygames, o jogo chegou originalmente em dezembro de 2023 como uma evolução de Granblue Fantasy Versus, lançado em 2020. A Legendary Edition, disponibilizada em setembro de 2026, reúne o jogo-base, os dois passes de personagens e o conjunto adicional de Id, totalizando 40 lutadores.

Para quem nunca experimentou a franquia, o pacote oferece uma maneira conveniente de começar com o elenco completo. O combate é o grande atrativo, enquanto a campanha e as atividades paralelas tentam ampliar a experiência para além das disputas tradicionais. Nem tudo funciona com a mesma competência, mas o conjunto tem méritos suficientes para chamar a atenção de quem procura um jogo de luta moderno.

Uma porta de entrada para os jogos de luta

Movimentos com comandos específicos, sequências de botões e cancelamentos podem afastar quem só queria escolher um personagem e sair na porrada. Granblue Fantasy Versus: Rising reduz essa barreira com diferentes esquemas de controle, incluindo opções simplificadas para executar especiais e combos sem exigir tanta precisão manual.

O modo Manual preserva os comandos tradicionais para quem prefere dominar cada movimento por conta própria. Já as alternativas simplificadas permitem experimentar os personagens sem passar horas tentando memorizar sequências de botões. Isso não significa que o jogo execute todas as decisões pelo jogador: saber quando atacar, reconhecer as aberturas do adversário e escolher a resposta adequada continuam sendo partes fundamentais do combate.

Os Triple Attacks facilitam a execução de sequências de golpes, enquanto os Dash Attacks oferecem maneiras de avançar contra o oponente. O Raging Strike pode pressionar adversários que se concentram na defesa, mediante o gasto de recursos, e o Brave Counter permite reagir quando se está sob pressão.

Essas mecânicas dão ritmo aos confrontos e impedem que a acessibilidade se transforme em simplificação excessiva. Executar um combo é apenas uma parte da equação. Saber quando utilizá-lo, administrar os recursos disponíveis e reconhecer os hábitos de quem está do outro lado da tela exige prática.

A curva de aprendizado continua existindo, mas o jogo permite que os novatos participem das lutas antes de dominar todas as suas particularidades. É uma solução eficiente para aproximar públicos com níveis diferentes de experiência sem comprometer o que torna o gênero interessante.

Um elenco de 40 personagens e estilos distintos

A Legendary Edition reúne 40 lutadores, incluindo personagens adicionados durante o suporte pós-lançamento e participações especiais, como 2B, de NieR: Automata.

A quantidade não seria suficiente se todos funcionassem da mesma maneira. Felizmente, armas, alcance dos ataques, velocidade e habilidades especiais ajudam a diferenciar as abordagens disponíveis. Mesmo com uma estrutura de combate compartilhada, trocar de personagem pode exigir mudanças consideráveis de estratégia.

Essa variedade favorece tanto a experimentação quanto a competição. Encontrar um lutador favorito pode ser o começo de uma jornada extensa, mas conhecer outros integrantes do elenco também ajuda a compreender melhor as possibilidades do sistema e a reconhecer as ameaças apresentadas pelos adversários.

Para quem chega agora, a edição completa elimina a necessidade de escolher quais personagens adicionais comprar. Os dois passes e o conjunto de Id estão reunidos no pacote, tornando a aquisição mais simples do que montar a coleção separadamente.

Naturalmente, um elenco numeroso não significa que todos os lutadores serão igualmente interessantes para cada jogador. Descobrir as preferências pessoais ainda exige tempo, e a variedade pode parecer intimidadora para quem está começando. Mesmo assim, ter tantas opções à disposição é um dos principais atrativos da edição, sobretudo para quem gosta de experimentar diferentes estilos de combate.

Um espetáculo visual digno da Arc System Works

Granblue Fantasy Versus: Rising utiliza modelos tridimensionais com uma apresentação inspirada em animações japonesas. Cores fortes, cenários fantásticos e efeitos visuais exuberantes ajudam a preservar a identidade dos personagens, enquanto as animações dão personalidade aos golpes.

Os ataques especiais recebem enquadramentos dramáticos e sequências elaboradas que reforçam o impacto dos confrontos. Não se trata apenas de colocar modelos detalhados na tela: existe uma preocupação em reproduzir poses, expressões e movimentos que façam os lutadores parecerem parte de uma animação interativa.

O desafio está em equilibrar esse espetáculo com a clareza necessária durante as partidas. Efeitos excessivos podem dificultar a leitura das ações, principalmente quando vários elementos ocupam a tela ao mesmo tempo. Rising consegue manter uma apresentação vistosa sem perder de vista a importância de acompanhar os movimentos do adversário.

A trilha sonora complementa a ambientação fantástica, alternando composições adequadas à intensidade dos combates com momentos mais tranquilos nos menus e nas sequências narrativas. O conjunto audiovisual reforça a identidade do jogo e ajuda a torná-lo atraente mesmo para quem ainda não conhece a franquia.

Uma história para acompanhar, não necessariamente para lembrar

Granblue Fantasy nasceu como um RPG para dispositivos móveis e construiu um universo extenso, com personagens, conflitos e acontecimentos desenvolvidos ao longo dos anos. Versus: Rising aproveita esse material em uma campanha que combina diálogos, cenas narrativas e batalhas, além de introduzir elementos leves de RPG e ação em determinados momentos.

A estrutura oferece uma alternativa aos confrontos tradicionais e ajuda a apresentar o elenco. Também pode servir como espaço para se familiarizar com os controles antes de enfrentar adversários humanos, embora não substitua o treinamento dedicado às mecânicas competitivas.

O problema está no desenvolvimento da narrativa. Quem chega sem conhecer a franquia pode encontrar dificuldades para acompanhar referências e relações entre personagens. Os materiais complementares ajudam a esclarecer o contexto, mas não eliminam a sensação de estar entrando em uma história que já pressupõe familiaridade com seu universo.

O ritmo também oscila entre diálogos e combates, sem manter o mesmo nível de envolvimento ao longo da campanha. Parte das situações funciona melhor como apresentação dos personagens do que como narrativa independente.

Para os fãs de Granblue Fantasy, reencontrar figuras conhecidas e acompanhar novos acontecimentos pode ser suficiente para justificar a campanha. Para os demais, ela serve como introdução razoável, mas dificilmente será o motivo principal para permanecer no jogo.

Vale ajustar as expectativas: apesar de incorporar elementos de outros gêneros, Rising continua sendo um jogo de luta. Quem procura uma aventura extensa, com progressão elaborada e exploração aprofundada, encontrará pouco espaço para esse tipo de experiência.

Atividades paralelas para variar as pancadarias

Além dos modos Arcade e Treinamento, o jogo oferece confrontos locais e online, opções de personalização e atividades que permitem interagir com os personagens fora das partidas tradicionais.

O Figure Studio merece destaque por permitir organizar modelos tridimensionais em cenas personalizadas. É um recurso simples, voltado a quem gosta de brincar com a apresentação dos personagens, mas que aproveita bem o trabalho visual da produção.

Grand Bruise Legends é uma proposta mais ambiciosa. O modo reúne minijogos com avatares em estilo chibi e desafios que lembram jogos de festa, incluindo percursos com obstáculos e atividades multiplayer. A mudança de ritmo funciona como uma pausa entre os confrontos competitivos e amplia a variedade do pacote.

Essas atividades, contudo, funcionam melhor como complementos. Nenhuma delas possui o mesmo peso do combate principal, e a campanha também não sustenta sozinha uma experiência tão duradoura quanto a oferecida pelas disputas online.

Quem gosta de competir encontrará motivos para continuar treinando, experimentar personagens e disputar partidas ranqueadas. Já quem prefere jogar sozinho terá opções para explorar, mas pode sentir falta de modos individuais mais elaborados.

Um online à altura do combate

O primeiro Granblue Fantasy Versus tinha uma base de combate competente, mas enfrentava limitações no multiplayer. Rising melhorou esse aspecto com a adoção de rollback netcode e suporte a crossplay entre plataformas compatíveis.

O rollback reduz a percepção de atraso durante as partidas online, algo especialmente importante em um gênero no qual reconhecer um ataque e responder no momento correto pode determinar o resultado. O crossplay, por sua vez, amplia o conjunto de adversários disponíveis e permite que jogadores de diferentes plataformas compartilhem o ambiente competitivo.

Nenhuma dessas tecnologias elimina todos os problemas de conexão. A qualidade da rede e a distância entre os participantes continuam influenciando as partidas, mas a estrutura de Rising oferece uma base mais adequada para confrontos online.

A combinação de controles acessíveis, ferramentas de treinamento e recursos competitivos torna o jogo convidativo para quem pretende evoluir. Os iniciantes podem aprender os fundamentos, enquanto os veteranos encontram espaço para aperfeiçoar estratégias e explorar as particularidades dos personagens.

O principal limite continua sendo a dependência do multiplayer para aproveitar o jogo a longo prazo. A campanha e os modos alternativos oferecem variedade, mas a maior profundidade está nas disputas contra outros jogadores. Para quem procura uma experiência predominantemente individual, essa diferença pesa na recomendação.

A Legendary Edition vale a pena?

Para quem nunca jogou Granblue Fantasy Versus: Rising, a Legendary Edition é uma opção conveniente. O pacote reúne o jogo-base e os conteúdos adicionais dos dois passes de personagens e do conjunto de Id, oferecendo acesso aos 40 lutadores.

Quem já possui o jogo-base, mas deixou de comprar alguns conteúdos adicionais, deve comparar o preço da edição com o custo do material que ainda falta. A compra pode compensar, mas isso depende dos itens que já fazem parte da biblioteca.

Para quem possui tudo, a situação é mais simples: não há motivo para tratar a Legendary Edition como uma experiência inteiramente nova. Seu principal atrativo está em reunir os conteúdos em um pacote completo, não em reformular o combate ou acrescentar uma campanha inédita.

Essa diferença ajuda a avaliar a edição pelo que ela realmente oferece. O sistema de luta continua sendo o principal mérito, acompanhado pela direção de arte, pela variedade de personagens e por uma estrutura online bem preparada. Os conteúdos adicionais ampliam as opções, mas não alteram a natureza da experiência.

A Legendary Edition é especialmente recomendável para quem deseja entrar em um jogo de luta moderno sem enfrentar uma barreira excessiva logo nos primeiros minutos. Os controles simplificados facilitam o aprendizado, e as mecânicas de combate oferecem espaço para evoluir durante muito tempo.

A história poderia ser mais envolvente, e os modos secundários não possuem a mesma força das disputas tradicionais. São limitações que reduzem o apelo para quem joga exclusivamente sozinho, mas não comprometem as qualidades centrais da produção.

Granblue Fantasy Versus: Rising não precisa reinventar o gênero. Seu mérito está em combinar um combate acessível com profundidade competitiva, apresentar um elenco diversificado e construir confrontos visualmente marcantes. Para quem procura um bom jogo de luta para PC, a Legendary Edition reúne esses elementos em um pacote bastante completo, desde que o preço faça sentido para o conteúdo que ainda falta adquirir.

Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition
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