Poucos personagens possuem brutalidade que se comparem com a do Logan, com o anúncio de que o mesmo estúdio que fez os dois bons jogos do Homem-Aranha iria produzir um game do carcaju, a animação dos fãs de quadrinhos foi instantânea. Finalmente Marvel’s Wolverine chegou ao PlayStation 5, trazendo uma aventura que agrada quase na mesma intensidade que decepciona.
Garras que cortam o invisível
Confesso que conforme as informações sobre Marvel’s Wolverine saíam, fiquei curioso em saber como iriam seguir a história do mutante mais famoso dos X-Men, sem a presença do grupo unido pelo professor Xavier, mas meus sentimentos terminaram com apenas alguns minutos de jogo, entendi brevemente que aqui, apesar de termos Logan, Mística e Jean Grey, não precisamos que os X-Men existam para que o carisma dos personagens nos conquiste.

Pelo menos não por enquanto, o jogo deixa claro que por mais que o grupo clássico não exista, todos nós conseguimos entender que tipo de histórias terá no decorrer da jornada.
Ao lado de Ciclope, Jean Grey e Fera, o mutante de collant amarelo se segura, agindo dentro do necessário.
Já sozinho, ele deixa o seu lado bestial de lado e passa a agir como a arma letal que é, distribuindo brutalidade para todos em seu caminho.

Aqui este equilíbrio se faz presente, temos um Logan contido na medida do possível, que se liberta em um estado de fúria colossal.
A Arma X
Quando se pensa em um jogo baseado nos personagens da Marvel feito pela Insomniac, queremos sempre imaginar que o combate terá o refino dos jogos do cabeça de teia.
E com um personagem do nível do Wolverine, a expectativa estava alta, e o misto de sensação foi algo que não esperei ter.

As animações do mutante são bem feitas e carregam toda a fúria do personagem, inegável que controlar o Wolverine e trucidar campanhas e chefes se torna cada vez mais divertido.
Entretanto, existe uma limitação de golpes e variações de combos que incomoda, os movimentos especiais não parecem dignos de um jogo como este.
Completamente inaceitável o Wolverine ter apenas três variações de combo, onde os demais golpes terem como ativações esquivas ou serem ativados por ataques.

Além disso, um ponto que pode até mesmo desmotivar o jogador mais crítico foram os erros de input, pois já que os combos normais possuem limitação, os golpes especiais devem servir para que as lutas tenham dinâmica que possa trazer diversão.
É frustrante acionar um comando e simplesmente o personagem não fazer nada, isso ocorre com a defesa que em alguns momentos funciona perfeitamente, em outros o comando é ignorado, cheguei achar que poderia ser uma questão do meu controle, mas não era.

Pelo menos, as habilidades passivas e ativas cobrem essa falta, com o tempo faz o jogador acostumar com o combate e aproveitar a aventura.
Você não pode fazer isso aqui, xará…
Às vezes nosso maior inimigo é nossa expectativa, confesso que com Marvel’s Wolverine a minha estava alta, eu já imaginei um jogo massivo do carcaju, com missões secundárias que nos dariam mais histórias além da trama principal.
Mas o que tivemos foram alguns desafios extras, colecionáveis que não divertem buscar e uma linearidade obsoleta para um jogo de 2026, como que eu não posso desviar o caminho para ir olhar o que tem atrás daquela construção?
Jogos como Uncharted 4 e God of War de 2018 possuem linearidade, mas não limitam a experiência do jogador.

A liberdade do jogo é praticamente nula, obrigando o jogador a ir apenas em frente por praticamente todo o tempo até que subam os créditos.
Porém, o jogo possui uma boa narrativa, onde a curiosidade de saber até onde vai a história é suficiente para superar os pontos fracos.
Outro ponto que me fez curtir o jogo ainda mais foram as relações do Wolverine com seus amigos (ou quase amigos), como Mística, Jean e Dentes de Sabre.

As pausas entre o combate para apreciar conversas emocionais entre eles criavam um equilíbrio bom e davam tempo de processar os eventos do jogo.
O melhor no que faz…
Mesmo em meio a decepções por parte da gameplay, o jogo brilhou em outros pontos, principalmente na escolha dos chefes do jogo.
Desde o primeiro deles, Ômega Red, até o penúltimo (que possui um dos momentos mais brutais dos jogos em 2026), estes de longe são os momento mais empolgantes de todo o jogo.
Além disso, a beleza do jogo carrega a assinatura da Insomniac que desde o jogo do Aranha em 2018 entrega gráficos lindíssimos.

A expressão facia,l o design de som e o polimento do jogo não deixam a desejar em nada, o jogo roda em perfeitos 60fps com raytracing.
Marvel’s Wolverine entrega uma boa aventura do mutante, mas peca mais do que agrada, para os fãs dos X-Men a aventura valerá a pena, para os demais jogadores será apenas uma jornada do ponto A ao B, nada mais.


