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Review: Warhammer Boltgun é homenagem frenética aos FPS dos anos 90

29 de maio de 202313 min read

A série Warhammer 40,000, ou Warhammer 40K, possui vários e vários jogos. Também está e sempre esteve presente em diversas mídias: jogos de videogame, de tabuleiro, quadrinhos e graphic novels, livros, filmes/séries animados e os próprios trabalhos manuais comercializados por tantas pessoas ao redor do mundo.

A série Warhammer 40,000, ou Warhammer 40K, possui vários e vários jogos. Também está e sempre esteve presente em diversas mídias: jogos de videogame, de tabuleiro, quadrinhos e graphic novels, livros, filmes/séries animados e os próprios trabalhos manuais comercializados por tantas pessoas ao redor do mundo.

Ainda assim, como estamos tratando sobre jogos de videogames, é preciso dizer que Warhammer nunca esteve entre os jogos mais vendidos, com mais destaque ou mais falados. Contudo, a série segue, jogo após jogo, e principalmente em tempos mais recentes, inovando suas mecânicas e gêneros aos quais os jogos fazem parte.

De antemão, até para situar quem porventura nunca jogou ou não conhece a marca Warhammer, vamos aos 40,000. O número indica a quantidade de anos em que o jogo se passa em relação ao presente. Assim, estamos tratando de uma ficção científica.

E se é uma ficção científica, esperemos planetas e atmosferas opressoras, misteriosas e lotadas das mais atípicas e letais formas de vida. Em Boltgun, o subtítulo deste jogo, tudo que foi falado anteriormente se repete. Todavia, em um estilo diferente e que um pouco mais na frente abordaremos.

A AURA DE BOLTGUN

Anunciado em 1 de junho de 2022, o jogo foi lançado nesta segunda quinzena de maio de 2023, sendo desenvolvido pela Auroch Digital e distribuído pela Focus Entertainment.

Curiosamente, Boltgun, para seguir olhando para o futuro em que normalmente suas histórias se passam, aqui, escolheu olhar para trás. Dessa vez, saem os gráficos ultrarrealistas entra a pixeplização típica dos clássicos FPS como Wolfenstein (1992), Doom (1993) e Quake (1996).

Aliás, ainda que naturalmente o jogo venha pixelizado, as opções no menu inicial (como também in-game) possibilitam com quem pixelizemos ainda mais os gráficos. Assim como retiremos por completo tal aspecto.

É possível, dessa forma, ir alterando as configurações gráficas. Por outro lado, convém manter o padrão oferecido pelo jogo para que certos contrastes, principalmente quando o ray tracing está em tela, cause mais impacto. Aliar, nesse sentido, nostalgia com modernidade é algo que Boltgun faz muito bem.

OS BOOMERS SHOOTERS

Vale ainda dizer que a Auroch está aliada aos tempos atuais. Nos últimos anos, temos visto uma gama de obras que esteticamente lembram os FPS dos anos 90. Essa estética retrô ganhou até nome: são os boomers shooters. Esse conceito, que na verdade opera mais como um movimento, tem feito sucesso entre jogadores.

Em geral, temos visto muitas desenvolvedoras indies apostando pesado nos boomers shooters. Estes jogos, nostálgicos e fiéis à estética noventista dos FPS, atacam diretamente no coração de milhares de jogadores ao ignorarem diversos incrementos visuais e mecânicas dos jogos de videogame das gerações mais atuais.

Warhammer 40,000: Boltgun, contudo, “dança” conforme as melhores influências que lhe servem. Ou seja, ele não está preso ao que homenageia tanto quanto não está a serviço da atualidade. E se o estilo gráfico retrô homenageia os anos 90, o traçado de raios é algo bem mais moderno.

Portanto, felizmente, Boltgun transita eficazmente na sua nuvem de influências para agradar ao jogador.

A AÇÃO DESENFREADA DE WARHAMMER

Por sorte, este novo Warhmammer 40,000 ignora uma série de decisões que fariam, talvez desnecessariamente, o jogo se alongar mais do que deveria.

Aliás, como dito no início da crítica, existe uma lore bastante aprofundada na franquia. Diante da velocidade da ação em tela, atirar, saltar e arremessar granadas, aqui, é mais importante que acompanhar a narrativa.

Dito isto, até há um companion para ser dada a impressão de que nosso personagem não é tão somente um space mariner silencioso. Não adianta muito, pois a ação, aqui, realmente importa bem mais que detalhes da história. Se, para o roteiro, isto é ruim, mecanicamente falando, funciona em termos de gameplay. Assim, o jogo não para (muito) para narrar acontecimentos. Atire, elimine, destrua, avance! E siga repetindo.

WARHAMMER E A ESCADARIA DE ESCHER

Nos raros momentos em que tal dinâmica é alterada, o jogo ganha. Durante as 24 fases do game, divididas em três capítulos, há excelentes momentos de respiro. Um, em especial, se sobressai. Há, em específico, uma determinada área sem inimigos que potencialmente orgulharia o artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972).

Cito o Escher porque esta área do jogo certamente poderá fazer algumas pessoas lembrarem da Escada de Escher. Nela, existe um contexto estrutural de mundo em que não se aplicam as leis da gravidade. É uma pena, dessa forma, que estes momentos não aconteçam mais rotineiramente em Boltgun.

PULE, CORRA, ATIRE E EXPLODA

É nítido o quanto Warhammer 40,000: Boltgun está investido em sua proposta de ser um shooter FPS em estilo retrô. Com exceção de raros momentos como os de cima, o jogo exige rapidez e inteligência física do jogador para com o personagem.

Isto fica um tanto claro pela rejeição ao fator furtividade, visto que o game não possui, por exemplo, uma arma de longo alcance. Até há armas que atingem inimigos mais distantes, mas, em geral, quase todas as arenas são fechadas.

Falando em armas de longo alcance, o jogador pode optar por quatro níveis de dificuldades: fácil, médio, difícil ou exterminatus. Fora dos dois primeiros níveis, esteja certo: não é a bala que irá ao encontro do inimigo, é você! Sim, a maneira como o jogo dispõe os inimigos e perigos pelas arenas te obrigará a, constantemente, ir ao encontro dos adversários.

WARHAMMER E A MOTOSSERRA, UM CASO DE AMOR

Para tanto, Warhammer 40,000: Boltgun oferece uma das principais aliadas nesta empreitada: uma motosserra. Em nenhuma das 24 fases, a motosserra será inútil. De carga infinita, ela, inclusive, muitas vezes substituirá suas armas, visto que ficar sem balas é algo natural.

O uso da arma, no entanto, requer duas coisas: a primeira é a constância do aperto do botão, já que ela funciona com base em “pressão”. A segunda coisa é saber que ela é muito útil para inimigos medianos ou fracos, mas, é perigoso usá-la contra chefes de fase ou inimigos mais fortes. É preciso, assim, que se analise os momentos certos de uso. Nas ocasiões adequadas, ela será bem mais eficaz que muitas das armas do jogo.

Não adianta muito, falando em eficácia, ter armas letais e não contar com um controle responsivo. Felizmente, Warhammer: Boltgun oferta um controle extremamente responsivo. Aliás, apesar do uso da motosserra acontecer enquanto estamos parados, ela dá agilidade ao game. Durante diversos momentos, usar a motosserra combinada à posição intuitiva das plataformas no level design é bastante convidativo.

Se há um inimigo acima, abaixo ou à frente, usar a arma serrilhada fará com que um gancho invisível nos leve ao adversário. O gancho, inclusive, não é só invisível: ele inexiste. Serve apenas como parte dessa mecânica de puxar o personagem até o inimigo. Dessa forma, será possível tanto se enfileirar uma matança como também explorar salas e plataformas em busca de segredos e itens secretos.

O level design, por sinal, brilha. Em quase todos os instantes, existe muito de uma atmosfera industrial opressora. Outras áreas nos apresentam uma ambientação medieval-vitoriana e espacial ao mesmo tempo. Há também climas distintos, com destaque às áreas gélidas e as de fogo vivo e pulsante.

GUNS

Encerrando o capítulo um de Boltgun, há a área em que fiz referência à escadaria de Escher. Ao vê-las, o impacto e a expectativa foi de que houvessem mais momentos assim dali em diante. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu.

Um aspecto em específico do jogo fez com que ele se tornasse um tanto maçante. Durante o capítulo dois, ao longo das suas oito fases, houve um abuso de puzzles com o esquema de chaves coloridas que abrem portas coloridas. Apesar das arenas serem pequenas, elas são bastante labirínticas. Assim, não foram poucos os momentos em que me vi tendo derrotado todos os inimigos e passei vários minutos caçando portas.

Essa busca entre corredores, andares e plataformas acabaram por estender, de forma infrutífera, a duração deste Warhammer. Se o jogo preza pelo frenesi da ação, tais momentos descaracterizaram a gameplay. Diferente do que houve ao fim do capítulo 1, mesmo sem inimigos, houve a inquietação da charada e da busca. Já no capítulo dois, não.

N’ ROSES

Atirar, subir, descer, se jogar e se puxar até o inimigo permitem com que Boltgun desafie e entretenha em níveis iguais. Temos, então, um jogo que se sai maravilhosamente bem no que propõe a fazer enquanto mecânicas básicas.

É uma pena, contudo, que uma marca com tantos jogos possa se perder. Em meio ao carrossel de jogos da franquia, um jogo tecnicamente menor como Boltgun poderia ser um chamariz aos novos jogadores.

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