House Fighters: Total Mess ensaia um jogo de combate aéreo numa espécie de Toy Story raso
Entrar no universo de House Fighters: Total Mess é experimentar sua tentativa de ser transportado para uma versão hiperativa da infância, onde brinquedos ganham vida e transformam cada cômodo em cenário de batalha. O jogo explora um conceito que, a princípio, conquista pela originalidade e apelo universal: aviões de brinquedo em missões frenéticas, voando entre móveis, lâmpadas e obstáculos domésticos. Não temos tantos jogos assim, e os que temos, ficaram lá atrás das décadas. É notável o esforço em captar o sentimento de brincar, proporcionando ambientes vibrantes, cheios de cor e movimento, que simulam uma animação quase cinematográfica. É uma estética voltada para a nostalgia, evocando referências de infância e sugerindo uma experiência divertida, leve e acessível.
Corredores extensos viram pistas, salas se transformam em arenas de dogfight, e cada objeto cotidiano, cuidadosamente encaixado, comunica o charme da proposta. É fácil perceber a preocupação com paleta de cores, texturas e animação, que tornam o ambiente expansivo — sem jamais parecer vazio ou genérico. O trabalho visual remete a franquias memoráveis que apostam na ideia de brinquedos em guerra, mas o título nunca perde a personalidade própria. Existe um esforço genuíno por parte dos desenvolvedores em passar para nós um jogo esteticamente competitivo.

No âmbito das interfaces, House Fighters opta pela simplicidade: menus limpos, comandos claros e HUD intuitivo, sem sobrecarregar o usuário com informações desnecessárias, parecendo as vezes até experiências mobile, com seus botões enormes e coloridos. Tal escolha favorece o público mais jovem, mas pode frustrar jogadores experientes em busca de maior profundidade. Os controles, por sua vez, têm pontos de destaque e limitações: são soltos, “leves”, permitindo movimentos amplos e evitando colisões punitivas, alinhado ao foco em diversão despretensiosa e bastante leniente. Entretanto, essa leveza pode soar imprecisa para quem busca precisão ou desafios técnicos mais rigorosos, principalmente em missões que exigem maior destreza. É totalmente plausível um marmanjo querer olhar para House Fighters procurando gráficos fofos mas com desafios sólidos. Mas, dessa vez ele fica devendo isso, neste segundo quesito.
O ritmo de House Fighters: Total Mess é claramente voltado para partidas rápidas e acessíveis, sem grandes momentos de tensão ou de superação. As missões seguem um formato bastante repetitivo: dogfights fáceis, ocasionais tarefas de bombardeio e buscas simples de itens pela casa. Não há real variação ou crescimento significativo ao longo da campanha; as missões se diferenciam pouco e rapidamente deixam uma sensação de déjà vu para quem busca mais criatividade nos desafios. Não há uma narrativa interessante para colar momento a momento
O auto-aim elimina praticamente toda necessidade de habilidade — basta desacelerar, mirar mais ou menos e disparar para eliminar inimigos, tornando a curva de aprendizado rasa. O público casual será atraído pela diversão instantânea e ausência de barreiras, mas quem procura profundidade ou evolução notará as limitações em pouco tempo.
Os sistemas de customização, como desbloqueio de aviões e pinturas, ajudam a estender um pouco a experiência, mas não compensam a sensação de simplicidade excessiva. Mesmo com a possibilidade de alterar o visual ou experimentar armas alternativas (mísseis, nail gun), o uso prático dessas opções é limitado pela falta de desafios mais exigentes. A física generosa evita frustrações, já que colidir é algo raro e nunca fatal — a colisão resulta apenas em uma “quicada” suave, reforçando o caráter despretensioso. De certa forma, isso se conecta à proposta lúdica do jogo, mas também reforça o argumento de que sua execução privilegia o entretenimento rápido ao invés de um sistema envolvente e recompensador.
A duração do conteúdo é outra área de destaque — ou limitação. House Fighters pode ser finalizado em poucas horas, com todas as missões principais e secundárias disponíveis em uma única sessão para quem se dedicar. Isso pode ser visto como um bônus para quem busca experiências breves, mas deixa a desejar na oferta para quem valoriza games de maior fôlego, com alto replay value ou conteúdos expansivos. Não há modo cooperativo nem desafios que reinventem as mecânicas após a campanha, o que limita consideravelmente o apelo a longo prazo.

Narrativamente, o jogo peca por superficialidade. O enredo serve apenas como desculpa para avançar nas missões: salvar amigos brinquedos, enfrentar inimigos genéricos e restaurar a harmonia na casa. Não há construção aprofundada de personagens, tampouco diálogos dignos de atenção. Tudo se resolve em poucas telas de texto, reforçando o aspecto “arcade” e afastando quem procura envolvimento emocional ou temas mais densos.
O design das missões claramente opta por uma estrutura linear e direta, sem segredos ou surpresas à espreita. Não há exploração de ambientes escondidos, puzzles ou vertentes paralelas — tudo é guiado por objetivos claros e repetitivos: destruir alvos, disputar contra adversarios controlados pela IA ou bater scores definidos em arenas específicas. Esse elemento, embora garanta acessibilidade, também reduz sensações de descoberta ou de conquista, elementos que poderiam elevar o potencial de engajamento a médio e longo prazo. Poreríamos, por exemplo estar tratando de uma estrutura meio Zelda em 3D, com itens chave secretos que abrem áreas distantes e que devemos revisitar, só para dar um pequeno exemplo da possível falta de olhar aguçado ao horizonte dos planejadores do título.
Em suma, House Fighters: Total Mess é um jogo que aposta forte em carisma, acessibilidade e nostalgia, sem jamais pretender figurar entre os gigantes do gênero. Sua ambientação cativante, voltada para sessões rápidas num cenário doméstico reconvertido em campo de batalha, conquista pelo apelo visual e pela simplicidade dos comandos — elementos perfeitos para quem busca entretenimento despretensioso e partidas entre amigos ou familiares. O design lúdico, o humor leve e a ausência de barreiras técnicas garantem a diversão do público casual, mas rapidamente revelam limitações para quem deseja profundidade, evolução ou inovação real em mecânicas e conteúdos.
As opções de customização, desbloqueio de aviões, fisicalidade permissiva e trilha sonora descontraída criam uma atmosfera propícia para relaxar, rir e curtir — sem exigências. Por outro lado, a ausência de modos robustos, variedade de missões, re-jogabilidade e desafio vão afastar jogadores experientes e aficionados por dogfight mais complexo. A presença de bugs, quedas de desempenho em algumas plataformas e narrativa rala reforçam o selo de produto intermediário, ainda em amadurecimento.

HOUSE FIGHTERS: TOTAL MESS
SCORE - 6.7
6.7
OK
Divertido, colorido e acessível, House Fighters: Total Mess entrega bons momentos de entretenimento casual em sessões rápidas, mas limitações estruturais em seu design, com repetição e falta de profundidade impedem que alcance voos maiores no gênero.









