Code Vein 2 tenta abraçar o mundo com braços curtos demais | Review

Um mundo que podia muito e se esforçou pouco...

Durante anos jogando esse gênero que me agrada e me estressa quase na mesma intensidade, já vi de tudo; jogos ruins que tentaram emular sucessos, os mais ou menos que entregam coisas boas e ruins, e aqueles que que ficam em um limbo que dificulta sua análise, aqui encontramos Entre erros e alguns acertos, Code Vein 2 entrega uma experiência complicada de absorver, e isso nem de longe é o maior dos problemas, confira nossa review., sequência de um game que pouco ouvi falar, mas sei que possui fãs fiéis espalhados pelo mundo.

Distribuído pela Bandai Namco Entertainment, a obra traz ação frenética e uma trama focada em viagens no tempo.

Como todo jogo que tende a ser difícil, a dose de desafio aqui chega para acertar os desavisados de plantão, mas não por uma boa causa, infelizmente.

Muitas Linhas Temporais…

Começamos como em todo (ou quase todo) RPG, criando nosso personagem do zero, aqui a imagem que você escolher realmente vai aparecer em todas as cinemáticas, o que torna crível a presença de nosso protagonista naquele mundo maluco.

Ao acordar somos recebidos pela simpática e misteriosa Lou, uma garota que possui habilidade de viajar entre linhas temporais.

Após uma breve apresentação de quem somos e porque estamos ali, vamos acompanhar Lou para nossa primeira grande aventura, que tem como objetivo salvar o mundo da destruição.

Nosso personagem compartilha da energia vital de Lou, e descobrimos que precisamos exterminar heróis que lutaram anos atrás, pois estes agora se encontram corrompidos.

Além de Lou, Lavínia supervisiona e decide o que pode ou não acontecer em cada uma de nossas viagens.

Depois de algumas horas de gameplay, somos lançados no mundo aberto do jogo, e o que deveria levar para uma experiência leve e agradável, se torna algo maçante e pouco divertido.

O mundo se estende por uma vastidão envolta em trevas, onde precisamos destruir bloqueadores de mapas, feito isso, o mapa fica disponível para consulta.

Ir atrás desses seres já mostra que a tentativa de criar algo minimamente divertido para explorar falhou.

O level design do game é confuso e muitos caminhos parecem feitos para fazer o jogador se perder.

Não que outros jogos não tenham feito isso, eles fazem, mas existem formas que não causam estresse, mas instigam a continuar.

Deslizes e quase acertos

O que acontece em Code Vein 2 está longe disso, você olha o mapa e fica mais perdido que tudo, tendo que andar como um maluco de um canto para o outro e no fim, não dar em absolutamente nada.

Para completar a experiência de mundo aberto nada legal, o veículo que eles escolheram até poderia facilitar as coisas.

Entretanto, a moto funciona bem apenas em linhas retas e descidas, se há uma inclinação, por menor que ela seja, o veículo parece pesar uma tonelada.

Tudo bem querer aplicar física realista em jogos, mas existem obras e obras, em algum simulador de corridas ou jogos no estilo de GTA, ok.

Mas em um mundo que temos armas futuristas e enfrentamos seres sobrenaturais, este tipo de escolha irrita mais do que impressiona.

Porém, a moto não entrega apenas experiências ruins, quando necessário atravessar grandes rodovias, ela funciona que é uma beleza.

Mas, seu ponto mais alto está quando usamos ela no ar, quando saltamos e planamos, os controles de voo se mostram excelentes.

Mesmo assim, no fim, o veículo fica pouco usado, já que podemos fazer viagem rápida para qualquer um dos pontos de descanso espalhados pelo mapa.

Heróis de uma Nova Era (ou não)

Pois bem, após entregar uma complicada primeira impressão em seu mundo aberto, Code Vein 2 nos joga para irmos atrás dos grandes heróis.

Estes que prometem batalhas épicas, boas trilhas sonoras e momentos marcantes, certo? Errado, totalmente errado.

E aqui chegamos nos pontos que me fizeram desistir de tentar gostar do jogo, pois um mapa ruim e controles de moto péssimos eu até aceito, entretanto, esta precariedade aparece também no combate e no design dos inimigos, isso não tem como deixar passar.

Ora, o jogo se vende como um RPG de ação, o mínimo que se espera é poder ter um combate decente contra os chefes.

Porém, aqui as coisas vão pelo lado oposto, vou citar os problemas de apenas um dos chefes, pois estes se enquadram em quase todos os outros inimigos.

Para começar, a hitbox parece sofrer alteração a cada segundo, se em um momento a leveza de uma esquiva funciona bem, no outro, parece que precisamos prever o movimento inimigo muitos segundos antes.

Alguns golpes beiram o ridículo, várias animações fazem os corpos dos inimigos mudarem de direção, como se eles sempre tivessem que acertar.

Tornando a curva de aprendizado inexistente, como aprendemos algo que no segundo seguinte muda completamente?

Por vezes você esquiva e funciona, repete ação e o desastre ocorre, golpes que conectam do nada e acabam com sua estratégia.

E isso vale para o chefe, existem golpes que passam no vazio, você pensa “ah, então aqui eu tô seguro”, mas logo você descobre que estava errado.

Entre batalhas e viagens

Com esses problemas, as lutas acabam tornando-se tortuosas, onde você só quer que a barra de vida do chefe seque, pois assim o final do jogo se aproxima.

Nenhuma luta permaneceu na memória, o que é uma pena, os heróis pareciam interessantes, a frustração impediu qualquer forma de laço entre eu e eles.

E como se não bastasse as lutas apresentarem problemas nos chefes, quando estamos contra os inimigos comuns, as coisas não seguem um caminho diferente.

Isso porque não há qualquer sentido no impacto das armas, não importa se você acertar o monstro com um travesseiro ou com uma marreta, se ele escolher que não vai sentir o golpe, ele não vai e pronto.

Ou seja, o seu adversário continua a ação, isso se repete contra inimigos grandes, o que faz sentido, e com os pequenos, o que sinceramente, é bizarro.

Para o futuro, fica o aprendizado

Mesmo as coisas que poderiam gerar elogios para Code Vein 2, como a qualidade gráfica, ou um bom desempenho não salvam a obra.

Personagens caricatos, uma escolha de cores que não vai além do comum e um mundo aberto desinteressante.

O jogo tenta fazer o jogador sentir afeição pelos personagens, mas a tentativa não possui força suficiente.

Missões secundárias desinteressantes cansam, quando parece que a jornada vai engrenar, ela se mostra ainda menos interessante.

Como se não bastasse a jornada cansar já nas primeiras horas de jogatina, o game parece ter esquecido de como terminar.

Após a metade da história principal, o jogo continua por mais tempo do que pude aguentar, a sensação era de que eles estavam tentando me convencer que no final tudo valeria a pena.

O que claro, não foi o caso, o desfecho é sem sal e cada minuto me parecia uma eternidade, nem mesmo os chefes finais salvam.

E mesmo que as coisas anteriores fossem aceitáveis e passassem do básico, a história segue uma receita que cansou rápido demais.

Para não deixar Code Vein 2 sem qualquer elogio, a variedade de armas, magias e habilidades especiais agradam.

Possibilitando estratégias diversas e com rotas para todos os gostos, existem espadas leves, pesadas, machados, rifles, metralhadoras e etc.

Além disso, podemos equipar as celas, que servem como armas diferenciadas, estas viram cartas na manga em um batalha complicada.

Longe do que ele merecia, Code Vein 2 chega com uma promessa grande, mas esqueceram de medir o tamanho do caminho que eles queriam trilhar.

Com uma experiência que fica entre o básico e o mediano, o jogo peca nas coisas mais simples, no fim ele terá que se esforçar para conquistar o público, mesmo para quem é aficionado pelo gênero.

Codev Vein 2

NOTA - 7

7

É, tá bom...

Longe do que ele merecia, Code Vein 2 chega com uma promessa grande, mas esqueceram de medir o tamanho do caminho que eles queriam trilhar. Com uma experiência que fica entre o básico e o mediano, o jogo peca nas coisas mais simples, no fim ele terá que se esforçar para conquistar o público, mesmo para quem é aficionado pelo gênero.

Sair da versão mobile