Eu comecei esta análise de Super Bomberman Collection com a suspeita habitual: coletânea em 2026 costuma ser um balcão de lembranças, bonito por fora e meio vazio por dentro. Só que aqui a Konami acerta um ponto raro. Em vez de vender “preservação” como virtude moral, ela entrega Bomberman como jogo. E, por consequência, o pacote funciona sem precisar gritar.
Na prática, Bomberman continua sendo um milagre pequeno. Em poucos segundos, eu entendo as regras. Em poucos minutos, eu entendo meus erros. Além disso, cada partida termina com uma consequência clara, sem desculpa de sistema, sem narrativa para amortecer o tombo. Por isso mesmo, o jogo envelhece bem: ele depende mais de gente e timing do que de espetáculo.

A parte pessoal bate forte, e eu nem precisei forçar. As minhas tardes infinitas e sem pressa com o meu primo vizinho soam hoje como um sofá confortável de se sentar tal como é pensar nesses tempos. Naturalmente, o jogo não recria o passado. Ainda assim, o gatilho é preciso: o som seco da explosão, o corredor estreito virando armadilha e aquele pânico controlado de “um passo errado e acabou”. A partir daí, o resto acontece sozinho dentro da minha cabeça.
O que vem no pacote e por que isso importa
A coletânea reúne cinco Super Bomberman do SNES em sequência e inclui dois Bomberman de Famicom para completar o álbum. No papel, isso parece só “muito jogo junto”. Só que, na prática, a graça está na linha do tempo. Em seguida de um para o outro, eu enxergo a série ajustando ritmo, aumentando caos, experimentando temperos e, às vezes, exagerando sem perceber.
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Outra lembrança volta com facilidade: o multiplayer no SNES de alguns desses títulos me leva a outros primos. Férias, praia, e madrugadas de multitap com meus outros dois primos. Naquela época, Bomberman virava pacto social. Hoje, ele ainda funciona do mesmo jeito porque as regras são claras e a partida é curta. Consequentemente, a revanche vem naturalmente, e a noite se organiza sozinha.

Recursos modernos que ajudam sem domesticarem o jogo
Em 2026, qualidade de vida deixou de ser mimo. Por isso, eu olho primeiro para save state e rewind. Aqui, ambos existem e fazem sentido, principalmente no single player. Em vez de me obrigar a repetir trechos inteiros por um deslize, o jogo permite treinar o erro e voltar para a parte boa com menos atrito.
Apesar disso, existe um risco óbvio: rewind demais tira o peso da consequência, e Bomberman vive desse peso. Então, para não anestesiar o desafio, eu usei o recurso como treino, não como muleta. Um ou dois “volta aí” para entender o que aconteceu e, depois, tentativa limpa. Dessa forma, o jogo continua tendo dentes, mas eu não transformo a noite numa penitência.
Como cada Super Bomberman se comporta na prática
Super Bomberman 1 ainda tem uma elegância quase cruel. O mapa é limpo, a leitura é imediata e o jogo depende mais do meu posicionamento do que de sistemas extras. Por isso, ele funciona como porta de entrada: ensina sem discursar e pune sem ser injusto.
No segundo jogo, o ritmo encaixa melhor. Ao mesmo tempo, o caos ganha fluidez, e as reviravoltas aparecem com mais frequência. Resultado: partidas que terminam com aquela frase clássica de sofá, “ok, agora sério”, mesmo quando ninguém quer admitir que já estava sério desde o começo.
Já Super Bomberman 3 é o capítulo mais irregular para mim. Algumas escolhas mudam a sensação de controle, e isso mexe com o prazer central do Bomberman clássico. Ainda assim, não é um buraco negro. Pelo contrário, ele mostra como um ajuste pequeno pode deslocar o clima inteiro. Eu respeito esse tipo de risco, mesmo quando não combina com meu humor do dia.
No quarto e no quinto, o pacote entra na fase “fim de SNES”: mais mecânicas, mais itens, mais variação, mais maneiras de o mapa virar confusão organizada. As montarias entram como tempero decisivo porque mudam mobilidade, fuga e agressividade. Em noites em que eu quero caos com estratégia, esses dois brilham. Em noites em que eu quero precisão limpa, eu volto para os primeiros.

Multiplayer local: onde Bomberman continua sendo Bomberman
Se o single player é treino, o multiplayer local é o coração. Bomberman nasceu para o sofá, e isso não mudou. Com quatro pessoas na mesma arena, a estratégia vira só metade do jogo; a outra metade é psicologia barata, blefe, vingança e aquele instante em que alguém “erra sem querer” exatamente do jeito que precisava.
Além disso, a coletânea é rápida para chegar onde importa. Eu não sinto que estou atravessando menus por obrigação. Em vez disso, eu entro na partida e volto ao loop que sempre sustentou Bomberman: round curto, risada imediata, revanche automática. Consequentemente, a noite rende. E, quando rende, o jogo vira história compartilhada, não item de biblioteca.
Os diferentes Super Bomberman também mudam o clima do multiplayer. Nos primeiros, a vitória tende a premiar leitura e posicionamento, porque a arena é mais “limpa”. Nos últimos, com mais variações e itens, o imprevisível cresce e nivela o jogo. Por outro lado, esse mesmo caos pode irritar quem gosta de controle puro. Eu alterno conforme a companhia: grupo casual pede bagunça; grupo mais competitivo costuma preferir os episódios mais secos.
Expectativas de 2026: conveniência pesa mais do que nostalgia
Só que a vida adulta não é multitap por padrão. Hoje, muita gente com quem eu gostaria de jogar está longe, tem agenda quebrada ou só aparece em horários absurdos. Por isso, coletânea moderna sempre esbarra numa pergunta: ela entende o mundo atual, ou só entende o passado?
Aqui, eu preciso ser honesto. Super Bomberman Collection é mais conservadora do que parte do público espera. Isso não torna o pacote ruim. No entanto, torna a proposta mais específica. Para quem quer preservar o ritual local, ela entrega exatamente o que promete. Para quem depende de jogar à distância, a lacuna pesa mais do que deveria em 2026. E, numa análise de Super Bomberman Collection, esse tipo de escolha não dá para varrer para baixo do tapete.
Ainda assim, eu evito o julgamento fácil. Em vez de chamar de “falha”, eu chamo de “decisão com custo”. O custo existe, e cada pessoa vai sentir de um jeito. Eu sinto menos porque ainda valorizo o sofá e porque Bomberman, para mim, sempre foi reunião. Por outro lado, quem vive de sessão online pode olhar para o pacote e sentir que falta uma ponte.
O valor real da coletânea: eu jogo ou eu arquivo?
Coletânea boa é a que vira jogo, não projeto. Por isso, eu sempre faço a mesma pergunta: eu vou jogar isso daqui a duas semanas, ou eu só vou dizer que “tenho” e pronto? Super Bomberman Collection passa melhor nesse teste porque me oferece dois usos claros.
O primeiro uso é a linha do tempo jogável. Sem malabarismo técnico, eu pulo entre episódios e sinto como a série muda. Além disso, comparar jogos assim, em sequência, deixa evidente como Bomberman é sensível a detalhes: frequência de itens muda agressividade; mobilidade muda leitura; montaria muda o risco. Consequentemente, a coletânea vira laboratório divertido, não só álbum.
O segundo uso é o ritual curto. Em dias corridos, eu entro, jogo quinze minutos e saio satisfeito. Em seguida, se bate vontade, eu repito. Essa elasticidade encaixa bem no mundo de 2026, porque o prazer não depende de horas acumuladas. Depende de atenção.
Apesar disso, eu sinto falta de uma camada de curadoria mais generosa. Não precisava virar documentário. Bastava um pouco mais de contexto, de material histórico, de bastidor. Do jeito que está, o pacote parece confiante no essencial e econômico no resto. E, embora eu prefira “rodar bem” a “encher de texto”, ainda fica um gostinho de oportunidade parcialmente usada.
Por que o jogo ainda funciona: design pequeno, consequências grandes
Em um mercado obcecado por inflar tudo, Bomberman é quase uma afronta. Ele cabe em segundos, explica em segundos e pune em segundos. Por isso, cada partida é nítida. Eu não discuto “o que o jogo quis dizer”. Em vez disso, eu discuto comigo mesmo por que eu fechei aquele corredor e me matei junto.
Além disso, Bomberman é jogo de espaço, e espaço é universal. A mesma arena muda completamente dependendo do comportamento das pessoas. Jogadores agressivos desenham um mapa diferente dos defensivos. Já o controle de território muda o fluxo da partida. E, quando alguém entra só para trollar, o tabuleiro vira teatro. Consequentemente, a repetição não vira cansaço tão rápido, porque o drama é humano.
Veredito
Eu gostei de Super Bomberman Collection porque ela trata Bomberman como jogo, não como relíquia. Em vez de tentar reinventar o que já funciona, ela entrega o núcleo com respeito e adiciona conforto moderno suficiente para eu não largar por frustração. Por isso, a coletânea funciona tanto como ritual curto quanto como cápsula social.
Ao mesmo tempo, o pacote faz escolhas conservadoras. Para muita gente, isso não vai importar, já que o multiplayer local é o grande motivo de existir. No entanto, para quem depende de conveniência moderna e partidas à distância, a falta de uma ponte pesa. E, no fim, esta análise de Super Bomberman Collection fica exatamente nesse equilíbrio: essencial forte, ambição contida.
O que me segurou foi o gatilho emocional bem acionado. As tardes sem pressa com meu primo vizinho voltam como sofá mental. Além disso, o multiplayer do SNES volta como férias e madrugada. Por fim, o “SNES de birosca”, com tempo pago e ansiedade no peito, volta como lembrança de quando cada segundo realmente custava. A coletânea não precisa dramatizar nada disso. Ela só coloca a bomba no mapa. Eu faço o resto.
Pontos fortes
Primeiro, o pacote reúne bem a era Super Bomberman no SNES e facilita comparar a evolução da série.
Além disso, save state e rewind tornam o single player mais amigável sem destruir o desafio, desde que usados com critério.
Também é importante: o multiplayer local continua excelente, rápido de configurar e fácil de entender.
Por fim, o jogo funciona muito bem em sessões curtas, o que ajuda bastante na rotina.
Pontos fracos
Por outro lado, a curadoria histórica é mais contida do que poderia ser.
Além disso, escolhas conservadoras podem frustrar quem depende de conectividade moderna para jogar com amigos distantes.
Compre Super Bomberman Collection no Steam.
Esta análise foi possível graças ao código fornecido pela Konami
SUP)ER BOMBERMAN COLLECTION
MUITO BOM - 8.1
8.1
BOM
Nesta Review Super Bomberman Collection, eu reencontrei cinco clássicos do SNES com recursos modernos que respeitam o ritmo do jogo. A coletânea brilha no multiplayer local e funciona bem como ritual curto no single player. Ela poderia ser mais ambiciosa em conveniência de 2026 e em curadoria histórica, mas entrega o essencial com qualidade e memória viva.

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