A.I.L.A – Entre realidade e ficção o talento brasileiro se faz presente (de novo) | Review
Uma assustadora e gratificante jornada pelo terror.
Ao fim da saborosa experiência que foi Fobia – St. Dinfna Hotel fiquei ansioso para o dia que teria mais conteúdo saído da mente daquela equipe que, além de talentosa, era daqui do Brasil! Saber que aquele jogo tinha saído de um grupo de brasileiros dava ainda mais sabor para aquela jornada por um Survival horror decente. Quando tive oportunidade de conversar com parte do time (me perdoem, não lembro o nome deles agora) perguntei se já tinham ideias para um novo jogo, sem revelar muito, disseram que algo já estava tomando formando, e após quase cinco anos, temos aqui o mais novo jogo da Pulsatrix Studios, AILA chega com dois pés no peito, bota o pé no acelerador e só para quando a insanidade toma conta.
O que é real?
Certamente o que mais chamava atenção na nova empreitada do estúdio era justamente a mudança de narrativa, pois apesar de permanecer no gênero, aqui o time brinca com diferentes formas de se contar uma história.
E claro que como um bom fã de jogos narrativos e de terror, não teria como ser tragado desde os primeiros minutos do jogo.
Pois bem, aqui vamos conhecer Samuel, um cara que está na missão de testar um novo console, este que por sua vez promete mudar a forma como jogamos.
Simples assim, com a atividade de um gamer vamos conhecer AILA, nossa companheira pelas próximas horas de jogo.

Samuel aparentemente possui muito mais a nos contar, testar games e possuir um forte carinho por seu gato não é tudo, pois como mencionei anteriormente, a forma de contar a história do game não se limita apenas ao gameplay ou as cinemáticas, observar a casa de Samuel pode nos dar pistas de como ele é ou pelo que passou.
A história do jogo nos leva para um mundo com certo tom de Cyberpunk, onde a tecnologia elevada traz mudanças extremas, com essas mudanças, problemas ainda maiores surgem.
O jogo brinca e muito com o que é real e o que não é, deixando claro que vai misturar isso todo o tempo.

Não podemos deixar de citar que este projeto surge de um estúdio independente, mas não demora a entender que eles vão se superar neste novo título.
Em AILA somos apresentados a escolhas que podem alterar o desenrolar da narrativa, algumas atitudes influenciam e muito no jogo.
Ao iniciarmos nossa jornada com a enigmática e simpática AILA, o jogo se divide em dois caminhos, a gameplay fora e dentro da simulação.

AILA a aprendiz de HAL 9000
Certamente AILA entra para o grupo das grandes personagens da ficção, ela me faz lembrar muito outra IA famosa da cultura pop, HAL 9000, por sua simpatia e por simular emoções humanas.
Sua simpatia se deve principalmente pela voz e interpretação da talentosíssima Luiza Caspary, atriz e dubladora que dá vida para AILA.
Além disso, AILA segue o padrão de IA que vai confrontar o humano com questionamentos e respostas ácidas, aqui que entra o verdadeiro terror.

Ora, estamos jogando um game que pode ser (ou não) a previsão de um futuro não tão distante, antes essa realidade estava distante, hoje não.
A proposta de AILA é inovadora por misturar realidade e ficção, informações do jogador, dados e memórias se mesclam em cada nova fase.
Não se preocupe isso não se configura spoiler, pois bem cedo o jogo já lhe dá essa dica, só sendo muito desatento para não perceber.

Entretanto, os mistérios surgem para além desse ponto, pois queremos saber mais sobre Samuel, como AILA age, qual seu objetivo e como e até onde vai seu controle.
Onde o medo toma forma
A primeira fase segue uma espécie de invasão alienígena, com um leve tom de Arquivo X, onde encarnamos a pele de um policial.
Não há muito segredo no que tange o gameplay, funciona como outros títulos de Survival Horror em primeira pessoa, atirar, agachar, se defender etc.

O jogo possui uma atmosfera amedrontadora, onde o medo está em cada som, em cada porta que se abre com um rangido.
Não há como ficar relaxado jogando AILA, o que é ótimo para um jogo de terror, entramos de cabeça na luta pela sobrevivência do personagem.
As criaturas colocam medo de verdade, colocadas em pontos estratégicos pelos cenários para pegar o jogador e dar aquele bom susto.

A trilha sonora se mostra competente e possui um papel fundamental na construção da atmosfera de terror.
Os enigmas voltam com forma total, onde apesar da dificuldade não muito elevada, são inteligentes e divertidos de superar.
Muitos acertos, porém…
Como nem tudo são flores, o game possui pequenos problemas, que apesar de não tirar o brilho da obra, incomodam.
Entre eles estão erros que travam e fecham o jogo, além disso, em algumas fases o jogo tinha quedas de frame.
Porém, o problema que mais me incomodou está presente no combate, não ocorria sempre, mas quando aparecia causava frustração.

Nem sempre os inimigos sentem os ataques, por armas de fogo ou corpo-a-corpo, atirar em um ser pequeno com uma escopeta e ele ignorar seu disparo me arrancava da imersão do game. Nada que correções certeiras não possam resolver.
O roteiro possui uma competência absurda, prendendo o jogador a todo o momento, montando o tabuleiro com mistérios e prometendo a revelação em breve.
Cada nova fase nos brinda com narrativas diferentes que aumentam a dinâmica do jogo, claro que o distanciamento não vai além do que o estúdio pôde fazer, mas o resultado se mostra satisfatório.

Se em um momento vamos controlar um policial, mais pra frente estamos na pele de um guerreiro anos antes, quando o mundo possuía menos tecnologia.
AILA entrega uma das melhores experiências em jogos de terror do ano, equilibrando narrativa e gameplay em uma jornada assustadora.
Com mistérios instigantes e personagens carismáticos, o jogo é um prato cheio para os fãs do gênero, provando que daqui do nosso país sai e ainda vai sair muita coisa boa.
Esta review só foi possível graças a cópia do jogo cedida pela Pulsatrix Studios, agradecemos pela oportunidade.
A.I.L.A
Nota - 9
9
Ótimo!
Entregando uma experiência imersiva e certeira para os fãs de terror, A.I.L.A é mais uma pedrada de qualidade da Pulsatrix Studios, provando vez que o estúdio sabe o que faz, um dos grandes jogos de terror de ano, ele merece sua atenção, vai por mim.








